Corpo geralmente mais delicado, boa acidez e taninos suaves fazem da uva uma alternativa para quem não quer abandonar os tintos nos dias mais quentes
Quando a temperatura sobe, vinhos brancos, rosés e espumantes normalmente ganham espaço na geladeira. Mas isso não significa que os vinhos tintos no calor precisem desaparecer da mesa.
A escolha pode estar menos na cor e mais nas características da bebida.
Tintos de corpo mais delicado, boa acidez, taninos menos agressivos e sem excesso de álcool ou dulçor podem proporcionar uma experiência diferente nos dias quentes. É nesse grupo que muitos exemplares de Pinot Noir encontram espaço.
Por que Pinot Noir funciona em temperaturas mais altas?
A Pinot Noir costuma originar vinhos de estrutura mais delicada quando comparada a variedades capazes de produzir tintos bastante encorpados e tânicos.
Entre suas características frequentes estão boa acidez, taninos mais sutis e aromas de frutas vermelhas, como cereja, morango e framboesa.
Isso não significa que todo Pinot Noir seja leve ou pouco alcoólico. Região, clima, maturação da uva, vinificação e passagem por madeira podem alterar consideravelmente o resultado.
É justamente por isso que vale observar o rótulo em vez de considerar apenas a variedade.
Pode colocar Pinot Noir na geladeira?
Pode, principalmente quando a temperatura ambiente está elevada.
A ideia de que todo vinho tinto deve ser consumido à “temperatura ambiente” pode provocar um problema em cidades brasileiras onde o ambiente facilmente ultrapassa os 25°C.
Servir um tinto excessivamente quente tende a tornar o álcool mais perceptível e pode prejudicar seu equilíbrio.
Por outro lado, frio demais também não é a solução. Temperaturas muito baixas reduzem a percepção dos aromas e podem tornar os taninos mais evidentes.
Por isso, determinados Pinot Noir podem se beneficiar de uma passagem pela geladeira antes do serviço, buscando uma temperatura fresca, e não extremamente gelada.
Pinot Noir também é uma uva difícil de cultivar
A delicadeza encontrada no copo contrasta com as dificuldades da Pinot Noir no vinhedo.
A variedade possui casca fina e cachos compactos, características que exigem atenção às condições climáticas e ao manejo.
“É uma uva que valoriza elegância, frescor e identidade. Também exige muito de quem a produz, porque cada detalhe faz diferença no resultado final”, explica Ezequiel Manoni, enólogo residente da Alpasión.
A variedade ficou historicamente associada à Borgonha, na França, mas atualmente é cultivada em diferentes regiões produtoras do mundo.
Pinot Noir argentino a 1.300 metros de altitude
Na Argentina, a Alpasión produz Pinot Noir em Los Chacayes, no Valle de Uco, em Mendoza.
Os vinhedos ficam a aproximadamente 1.300 metros de altitude, em uma região marcada pela diferença de temperatura entre dias e noites.
Um dos rótulos da vinícola é o Alpasión Grand Pinot Noir, amadurecido durante 12 meses em barricas de carvalho francês.
Segundo a descrição da produtora, o vinho apresenta coloração vermelho-granada de intensidade média e aromas que remetem a amora, cereja e framboesa, além de cravo, canela, pimenta verde e nuances de eucalipto e menta.
Na boca, a vinícola descreve taninos sedosos, frescor e final delicado.
O rótulo recebeu 92 pontos de Tim Atkin MW em sua avaliação de vinhos argentinos, segundo informações divulgadas pela produtora.
O que comer com Pinot Noir?
A versatilidade gastronômica é outra razão para a presença da variedade em refeições mais leves.
Dependendo do estilo do vinho e da preparação, Pinot Noir pode acompanhar aves, cogumelos, risotos, massas, peixes mais estruturados e carnes de menor intensidade.
Pato é uma combinação clássica, enquanto exemplares de boa acidez também podem funcionar com pratos à base de tomate.
Mais importante do que decorar uma relação fixa de alimentos é observar a intensidade dos dois lados: um Pinot Noir delicado pode desaparecer diante de um prato extremamente potente, enquanto um exemplar mais estruturado abre outras possibilidades.
Nem todo tinto para o calor precisa ser Pinot Noir
A lógica também pode ser aplicada a outras variedades e estilos.
O principal é procurar tintos que entreguem frescor, equilíbrio e estrutura compatível com a ocasião, além de cuidar da temperatura de serviço.
Assim, a chegada da primavera não precisa dividir a adega entre “vinho para frio” e “vinho para calor”.
Às vezes, alguns minutos de geladeira e a escolha de um tinto de perfil mais fresco já mudam completamente a experiência.

