Levantamento encomendado pela Beats ouviu mil brasileiros e encontrou diferenças de até 64 pontos percentuais entre o que outras gerações pensam sobre os jovens e como eles respondem sobre si mesmos
A Geração Z escolhe um lugar pensando primeiro na foto que vai postar? Dança para se divertir ou para produzir conteúdo? Está menos interessada em relacionamentos?
As respostas mudam bastante dependendo de quem responde.
Uma pesquisa encomendada pela Beats e realizada pela plataforma Toluna ouviu 1.000 brasileiros, divididos igualmente entre 500 jovens de 18 a 24 anos e 500 pessoas de outras gerações.
Os dois grupos responderam a perguntas semelhantes. Em alguns casos, a distância entre a percepção externa e a autoimagem dos jovens passou de 60 pontos percentuais.
83% x 19%: registrar ou viver o momento?
Uma das maiores diferenças apareceu quando os participantes foram questionados sobre registrar experiências.
Entre os entrevistados de outras gerações, 83% disseram acreditar que a Gen Z prefere registrar os momentos a vivê-los.
Quando a mesma afirmação foi apresentada aos próprios jovens, apenas 19% concordaram.
São 64 pontos percentuais de diferença.
Algo semelhante aconteceu quando o assunto passou para a escolha das experiências.
Enquanto 84% dos participantes de outras gerações acreditam que jovens escolhem o que fazer pensando em como aquilo aparecerá nas redes sociais, somente 29% da Gen Z concordou com essa descrição.
E na pista de dança?
A diferença continuou quando a pesquisa chegou às festas.
Para 81% das pessoas de outras gerações, jovens dançam mais para produzir conteúdo do que simplesmente para aproveitar aquele momento.
Entre os entrevistados de 18 a 24 anos, a afirmação recebeu concordância de 21%.
Ao mesmo tempo, 57% dos jovens disseram que costumam dançar em festas.
É um contraste interessante para uma geração frequentemente associada à experiência mediada pelo celular.
Mas os números precisam ser interpretados pelo que efetivamente medem: eles comparam a percepção de um grupo sobre outro com a maneira como o segundo grupo descreve o próprio comportamento.
Não demonstram, isoladamente, qual visão corresponde melhor ao comportamento observado na prática.
Relacionamentos também apresentam grande diferença
Outro estereótipo colocado à prova foi o de que jovens estariam mais interessados em relações casuais.
Entre as outras gerações, 73% acreditam que essa preferência caracteriza a Gen Z.
Entre os jovens entrevistados, somente 24% concordaram.
Ao mesmo tempo, 85% dos participantes da Gen Z se definiram como mais seletivos na hora de se envolver romanticamente.
Mais uma vez, o levantamento aponta uma diferença de percepção, e não necessariamente uma contradição: ser seletivo, buscar relacionamentos ou manter relações casuais são comportamentos que podem coexistir de diferentes maneiras.
O esquenta já virou parte do rolê?
A pesquisa também serve como base para uma nova campanha da Beats.
A marca decidiu explorar o “esquenta”, encontro que antecede uma festa ou saída, como um momento de socialização por si só.
Em vez de tratá-lo apenas como preparação para chegar a outro lugar, a campanha trabalha a ideia de que parte importante da noite já acontece ali: amigos se encontram, conversam, ouvem música e começam a construir as histórias do rolê.
É uma leitura que interessa especialmente ao mercado de bares, festas e bebidas porque mostra como as ocasiões de consumo podem estar mudando.
O bar ou a balada não necessariamente representam o início da noite. Para parte dos jovens, quando eles chegam lá, o rolê já começou há algum tempo.
O que a pesquisa permite concluir?
Os resultados não significam que os estereótipos sobre a Geração Z estejam definitivamente errados.
Existe uma limitação importante: o levantamento coloca de um lado a percepção externa e, do outro, a autoimagem declarada. São duas medidas diferentes.
Também é relevante considerar que o estudo foi encomendado pela Beats e seus resultados passaram a integrar uma campanha da própria marca.
Ainda assim, diferenças como 83% contra 19%, 84% contra 29% e 81% contra 21% mostram uma distância suficientemente grande para levantar uma boa pergunta: quanto do que se diz sobre a Gen Z vem dos próprios jovens e quanto foi construído pelas gerações que os observam?

