Dois espumantes formam um mapa quando colocados lado a lado e levam ouro em prêmio de design

Azor Marítimo e Azor Volcano transformam rótulos em partes de uma carta náutica; Vistamontes Malbec também foi reconhecido no Prêmio ABRE 2026

Há garrafas que contam uma história no contrarrótulo. Os espumantes Azor Marítimo e Azor Volcano, da Estância Paraizo, decidiram colocar a narrativa justamente onde os olhos chegam primeiro.

Os dois rótulos foram desenvolvidos como partes de um mesmo mapa. Quando observadas em conjunto, as garrafas ajudam a representar uma trajetória familiar que começa no arquipélago dos Açores, atravessa o oceano e chega ao Pampa.

O projeto foi reconhecido com Ouro na categoria Design Gráfico – Bebidas Alcoólicas do Prêmio ABRE 2026, de acordo com as informações divulgadas pelos responsáveis pelo projeto.

A premiação, promovida pela Associação Brasileira de Embalagem, chegou à 26ª edição com 514 projetos inscritos. A cerimônia de 2026 aconteceu em 24 de setembro, em São Paulo. 

Duas garrafas, uma história

O ponto de partida para os rótulos de Azor Marítimo e Azor Volcano foi a trajetória da família Mercio.

De origem açoriana, a história da família entre o arquipélago português e o Bioma Pampa foi transformada em uma espécie de carta náutica dividida entre os dois espumantes.

Para produzir o efeito, o projeto utilizou um papel autoadesivo texturizado da linha Fasson Cuvée Sablé, da Avery Dennison.

Mas não bastava parecer um documento antigo.

O desafio era colocar o “pergaminho” no gelo

A escolha de uma estética de papel envelhecido criou uma dificuldade particular: espumante vai para o balde de gelo.

Isso significa exposição à água, condensação e baixas temperaturas, justamente condições capazes de comprometer determinados papéis e acabamentos.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a solução combinou papel texturizado, corte irregular, hot-stamping, serigrafia fosca, relevo e verniz de proteção.

A intenção foi manter a aparência de uma carta náutica sem deixar de considerar as condições reais de serviço da bebida.

Participaram do desenvolvimento a Estância Paraizo, a consultoria Interbev, o Bagual Estúdio de Ideias, a Degráfica Impressos e a Avery Dennison.

O resultado recebeu o Ouro em Design Gráfico – Bebidas Alcoólicas.

A presença de Azor Volcano e Azor Marítimo entre os projetos da Avery Dennison inscritos na edição de 2026 também consta no site oficial do Prêmio ABRE. 

Vistamontes aposta no toque do rótulo

Outro projeto ligado ao vinho seguiu um caminho diferente.

A Vinícola Vistamontes, da Serra Gaúcha, queria renovar a identidade visual de seus rótulos sem abandonar a viabilidade de produção, especialmente em lotes menores.

A solução escolhida para o Vistamontes Malbec foi um papel autoadesivo texturizado, com uma tonalidade naturalmente amarelada.

A textura permitiu explorar acabamentos como stamping e alto-relevo, acrescentando uma dimensão tátil à embalagem.

Segundo o material divulgado pelo projeto, a própria tonalidade do papel também reduziu a necessidade de cobertura de tinta, enquanto sua espessura possibilitou o uso de corte a laser na produção de lotes menores.

Quando tocar na garrafa faz parte da experiência

No caso da Vistamontes, o efeito pretendido não terminava na prateleira.

A vinícola relata que visitantes e participantes de degustações passaram a mencionar características como o toque e a aparência dos novos rótulos.

É uma diferença interessante entre os dois projetos.

Enquanto Azor utiliza duas garrafas para contar visualmente uma história, Vistamontes explora algo que uma fotografia de e-commerce dificilmente consegue reproduzir por completo: a sensação do papel nas mãos.

O projeto Vistamontes Malbec aparece entre os inscritos da Avery Dennison na relação oficial do Prêmio ABRE 2026.  Segundo as informações fornecidas pelas empresas envolvidas, conquistou Bronze na categoria Design Gráfico – Bebidas Alcoólicas.

O que o Prêmio ABRE avalia?

O Prêmio ABRE não é uma competição de qualidade do vinho ou do espumante. O reconhecimento é da embalagem.

A própria organização informa que os projetos são avaliados por um corpo especializado considerando aspectos como inovação, funcionalidade, estética, sustentabilidade, tecnologia, adequação ao público, propósito da marca e eficiência comercial. Os reconhecimentos são divididos em Ouro, Prata e Bronze conforme os critérios de cada categoria. 

Portanto, o ouro de Azor não significa que o espumante tenha sido eleito o melhor do Brasil, assim como o bronze da Vistamontes não avalia a qualidade do vinho dentro da garrafa.

O que recebeu reconhecimento foi o trabalho realizado do lado de fora dela.

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