Importados com exclusividade pela World Wine, os vinhos de Francisco Baettig atravessam um dos momentos mais importantes da viticultura chilena contemporânea. O recém-lançado Coronel 2024 acaba de receber 98 pontos no Guia Descorchados 2026 e foi eleito o Melhor Vinho Tinto do Ano por Patricio Tapia, consolidando Baettig como um dos nomes mais influentes do vinho sul-americano.
O reconhecimento não surge por acaso. Discreto, técnico e profundamente ligado ao conceito de terroir, Baettig ajudou a redefinir a percepção internacional do Chile, levando o país para além da consistência e do volume, aproximando seus vinhos de um discurso mais sofisticado, baseado em precisão, frescor e identidade.
Coronel 2024 nasce do Maule profundo
O destaque absoluto da safra é o 2024 Baettig Vino de Parcela Coronel, D.O. Cauquenes, elaborado a partir de um antigo vinhedo em regime de secano na região de Coronel del Maule. O blend reúne Cabernet Sauvignon, País e Cariñena provenientes de vinhas antigas irrigadas apenas pela água da chuva.
No Descorchados 2026, Tapia descreve o vinho como um tinto de “frutas e ervas, toques terrosos e especiarias”, marcado por “taninos firmes e musculosos” e “acidez intensa e vibrante”. O crítico encerra a análise com um aviso direto: “Ojo con este tinto. Mucho ojo.”
O Coronel sintetiza a atual visão de Baettig sobre o vinho chileno: menos extração, mais energia, tensão e transparência do terroir.
Chardonnay e Cabernet também brilham
O reconhecimento se estendeu por praticamente todo o portfólio do enólogo, com notas entre 95 e 98 pontos.
Entre os principais destaques está o 2024 Baettig Selección de Parcelas Los Primos Chardonnay, de Traiguén, avaliado com 97 pontos e finalista ao prêmio de Melhor Chardonnay do Ano. Produzido em pequena escala após severas geadas no sul chileno, o vinho apresenta acidez incisiva, perfil salino e forte influência do clima frio.
Outro rótulo celebrado foi o 2024 Baettig Selección de Parcelas Los Padrinos Cabernet Sauvignon, também com 97 pontos. O vinho nasce de vinhedos com mais de 70 anos em Cauquenes e incorpora 12% de País ao blend, escolha que suaviza a rusticidade do Cabernet do Maule e amplia o frescor do conjunto.
Já o Los Parientes Chardonnay recebeu 95 pontos e reforça a reputação de Baettig como um dos principais nomes do Chardonnay de clima frio da América do Sul.
De Seña ao novo Chile
Formado pela Pontificia Universidad Católica de Chile e com especialização na França, Baettig passou por Bordeaux e Rhône antes de assumir protagonismo na Viña Errázuriz, ao lado de Eduardo Chadwick.
Foi ali que liderou alguns dos projetos mais importantes do país, incluindo o icônico Seña, criado originalmente em parceria com Robert Mondavi.
Sob sua direção, os vinhos passaram a priorizar elegância, precisão e longevidade, abandonando estilos excessivamente maduros ou marcados pela extração intensa.
“No Chile, durante muito tempo buscamos intensidade. Hoje, o desafio é outro: como preservar energia, frescor e identidade. Chardonnay e Pinot Noir são as variedades que melhor traduzem essa mudança”, resume Baettig.
O Chile de precisão
A trajetória do enólogo também passa por projetos autorais como Vino Parientes e Primos, iniciativas que aprofundam sua visão sobre pequenas parcelas, vinhedos antigos e leitura individual de terroir.
Mais do que um nome forte do vinho chileno, Francisco Baettig simboliza uma mudança estrutural na viticultura do país. O Chile que antes era reconhecido principalmente por potência e volume agora começa a ocupar um espaço ligado à elegância, mineralidade, frescor e capacidade de envelhecimento.
E o Coronel 2024 talvez seja o retrato mais completo dessa transformação.

