A discussão sobre beber menos, sem abrir mão da experiência, chegou de vez ao universo do vinho. Na Wine South America, que acontece entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves, esse movimento aparece com força nos estandes e nos lançamentos.
O ponto de partida é simples, mas ainda gera dúvida. Vinho desalcoolizado e vinho sem álcool não são a mesma coisa.
Entenda a diferença no copo
O vinho desalcoolizado nasce como vinho. Ele fermenta, evolui e depois passa por um processo de retirada do álcool. Isso mantém estrutura, aromas e uma sensação mais próxima da bebida original.
Já o vinho sem álcool pode ter a fermentação interrompida ou ser produzido desde o início com foco em teor alcoólico quase zero. O resultado costuma ser mais simples, com menos camadas sensoriais.
Essa diferença ajuda a explicar por que a categoria desalcoolizada vem ganhando mais atenção.
Um mercado que cresce junto com o consumo consciente
O avanço do chamado “zero proof”, bebidas com 0,0% de álcool, aparece como tendência clara. Não se trata só de restrição, mas de escolha.
Na feira, produtores ampliam portfólio e espaço. A Vinoh é um exemplo. A marca leva uma linha completa de vinhos sem álcool e apresenta um espumante Brut desalcoolizado feito a partir de 100% vinho, algo ainda pouco comum no mercado.
A proposta é entregar uma experiência mais próxima do espumante tradicional, com equilíbrio e complexidade, mesmo sem álcool.
Além disso, a linha Oak traz rótulos que passam por barricas de carvalho americano, incluindo Merlot, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, reforçando um movimento de sofisticação dentro da categoria.
Grandes produtores também entram no jogo
Outro nome relevante é a Cooperativa Vinícola Aurora, que já vinha trabalhando com versões zero álcool desde 2019.
A partir de 2025, a cooperativa avançou para vinhos desalcoolizados feitos a partir de vinhos finos. Para a feira, apresenta um lançamento da linha Procedências, com 100% Chardonnay, mirando um posicionamento mais premium.
A feira como termômetro do setor
A Wine South America chega à sexta edição com mais de 400 marcas e representantes de 20 países. O evento se consolida como um espaço de negócios e também como um retrato das mudanças no consumo.
Vinhos desalcoolizados deixam de ser nicho e passam a ocupar um lugar estratégico no portfólio das vinícolas. É um ajuste claro ao comportamento do consumidor, que busca equilíbrio, mas ainda valoriza sabor e experiência.
No fim, a pergunta muda. Não é mais sobre beber ou não beber. É sobre como você quer beber.
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