Coda: a volta ousada de Alê D’Agostino para a coquetelaria paulistana

Após seis anos longe dos balcões, o criador do lendário Apothek retorna em grande estilo com o Coda — um bar que combina precisão, emoção e memória

Crédito: Divulgação

Em São Paulo, sempre há espaço para um bom bar de alta coquetelaria — especialmente quando o nome por trás do balcão é Alê D’Agostino, um dos bartenders mais influentes do país. Seu novo projeto, o Coda, instalado na Rua Barão de Tatuí, 223, na Vila Buarque, marca o retorno de Alê à cena com um negócio próprio e uma proposta que une técnica, afeto e liberdade criativa.

O nome vem da terminologia musical “coda” — usada para designar o trecho final de uma composição —, uma metáfora perfeita para o novo momento do bartender. “É sobre recomeço, sobre encerrar um ciclo e iniciar outro com um significado novo. Cada cliente deve sair com a sensação de que valeu a pena ter ido até lá”, resume D’Agostino.


Um bar sem pose e cheio de alma

Coda foge da formalidade dos bares de luxo, mas mantém o rigor técnico de quem domina a arte do coquetel. O ambiente é sóbrio, mas acolhedor: paredes de cimento queimado convivem com sofás confortáveis, iluminação baixa e um piano no salão, que ocasionalmente ganha vida em pequenas apresentações — reforçando a essência musical do lugar.

A consultoria A/C – Aos Cuidados, de Ana Paula Montesso e Carolina Oda, esteve à frente de todas as etapas do projeto, garantindo uma experiência coesa entre bar, serviço e cozinha.


A carta de drinks: clássicos e autorais

A carta, com 12 coquetéis autorais, é uma aula de criatividade:

  • Che com Infusione (R$ 38) – blend de chás infusionado em cachaça e carbonatado.
  • Marzini (R$ 52) – gin, jerez oloroso, infusão de amêndoas e bitter.
  • Sgroppa (R$ 42) – sorbet de limão, vodca, Campari e espumante.
  • Hell Yeah (R$ 52) – whisky, pimenta, baunilha, vermute bianco e água com gás.
  • Kimchi Old Fashioned (R$ 52) – bourbon com calda de caramelo e kimchi.
  • Duas versões de Negroni: floral (R$ 47) e Jerez (R$ 52).

Há ainda quatro opções não alcoólicas (R$ 28) — Apple 0 Martini, Nero, Piña e Mimosa de Café — e uma seleção de quinze clássicos, com destaque para o Dry Martini, drink que consagrou D’Agostino na cena paulistana.

E, para os nostálgicos, uma homenagem direta: a seção “Saudades, Apothek!”, com sete criações icônicas do bar fechado em 2019, entre elas Rye Rye DarlingEva GreenToni’s New Tuxedo e Maid-O.


Gastronomia e atmosfera

A chef Laila Radice, consultora do menu, entrega receitas que acompanham perfeitamente os coquetéis. Entre os petiscos, destaque para o patê de foie com mostarda de Cremona (R$ 45), a croqueta de camarão com gochujang (R$ 56) e as Lipe’s Fries com aioli (R$ 36).

Para quem quer jantar, as opções vão da Pasta Alla Vodka com burrata (R$ 71) à rabada com purê de batata (R$ 54), além de sanduíches como o Toni a Milanesa (R$ 65) e o Tuca Sando, de atum com furikake de wasabi (R$ 56).

O balcão de mármore, com apenas seis assentos, é o coração do bar. É ali que Lívio Poppovic, parceiro de Alê nos tempos do Apothek, reassume as coqueteleiras — uma escolha que D’Agostino chama de “inevitável”.

“Não existia a menor chance de ser outra pessoa”, brinca.


A volta de quem nunca saiu

Depois de alguns anos longe da rotina de um bar, Alê D’Agostino descreve o Coda como uma espécie de reencontro.

“Dois anos atrás, fui a um bar em Miami e me deu uma saudade imensa de ter o meu novamente. Alguns meses depois, apareceu a oportunidade de investimento. Não tive como negar. Estou feliz, e um pouco ansioso, de estar em um negócio meu mais uma vez”, conta.

No Coda, essa mistura de maturidade e emoção se traduz em cada detalhe — do primeiro gole ao último acorde.

📍 Coda – Rua Barão de Tatuí, 223 – Vila Buarque, São Paulo/SP
🕓 Ter a qui: 18h–0h | Sex e sáb: 17h–1h (cozinha até 1h antes do fechamento)
📸 Instagram: @_coda.sp

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