O Cerrado brasileiro segue chamando atenção fora do país. Entre os dias 26 e 28 de dezembro, a Villa Triacca Hotel Vinícola & Spa, em Brasília, recebeu a visita de Massimo De Grandis, manager director do mercado latino-americano da Castellani Spa, uma das vinícolas mais tradicionais da Itália. A agenda teve foco técnico e reforçou o intercâmbio de conhecimento entre Brasil e Itália, ampliando a projeção internacional dos vinhos produzidos no Cerrado.
A visita aconteceu a convite de Ronaldo Triacca, proprietário da Villa Triacca e nome central da consolidação do projeto no Distrito Federal. Durante o período, Massimo acompanhou de perto os vinhedos, os processos de vinificação, a estrutura produtiva e o portfólio da casa, em uma imersão voltada à compreensão das particularidades do terroir brasileiro fora dos eixos tradicionais.
Cerrado, dupla poda e identidade própria
Localizada a cerca de 60 quilômetros do centro de Brasília, a Villa Triacca se tornou uma das referências da chamada nova vitivinicultura brasileira. O projeto aposta em condições muito específicas do Cerrado, como o clima seco entre maio e agosto, alta luminosidade, amplitude térmica acentuada e, principalmente, a técnica da dupla poda, que permite a colheita no inverno.
Esse conjunto de fatores resulta em uvas mais concentradas, com maior equilíbrio entre maturação fenólica e acidez, dando origem a vinhos que fogem do padrão histórico associado ao Brasil. Foi justamente essa identidade que motivou o interesse do executivo italiano.
Durante a visita, Massimo De Grandis percorreu os vinhedos ao lado de Ronaldo Triacca, analisou práticas agrícolas, métodos de vinificação e conheceu de perto os rótulos que vêm colocando o Cerrado no mapa do vinho de qualidade.
Reconhecimento internacional e diálogo entre países
A Villa Triacca acumula prêmios em concursos nacionais e internacionais, como Vinalies, em Cannes, Decanter, em Londres, Wine Hunter Award, em Merano, além da Grande Prova Vinhos do Brasil e do Brazil Wine Challenge. Esses reconhecimentos ajudam a explicar por que o projeto passou a despertar o interesse de grandes players internacionais.
A presença da Castellani no Cerrado brasileiro reforça um movimento cada vez mais claro. O de que o Brasil começa a ser observado não apenas como mercado consumidor, mas como território produtor, com potencial técnico, identidade própria e capacidade de diálogo com escolas tradicionais da vitivinicultura mundial.

