Brasil Brau encerra ciclo histórico e anuncia expansão para todo o mercado de bebidas

A Brasil Brau encerrou sua edição de 2026 com um anúncio que marca uma nova fase para o setor de bebidas na América Latina. Após décadas dedicada exclusivamente à cadeia cervejeira, a feira passará a se chamar Brasil Brau & Beverage a partir de 2028, ampliando oficialmente seu escopo para todo o mercado de bebidas.

A edição realizada no São Paulo Expo reuniu mais de 180 marcas, cerca de 8 mil profissionais do setor e movimentou milhões de reais em negócios ao longo de três dias de programação.

Evento acompanha transformação do mercado

Segundo a organização, a mudança reflete uma transformação que já vem acontecendo na indústria. O crescimento das bebidas sem álcool, funcionais, energéticas, ready-to-drink, destilados e novas categorias criou um cenário em que diferentes segmentos compartilham desafios, tecnologias e consumidores.

Para Tatiana Zaccaro, diretora de negócios da GL events, as fronteiras entre as categorias estão cada vez mais tênues.

“A transição para um novo formato reflete essa nova realidade e reforça nossa estratégia de posicionar o evento como a principal plataforma de negócios, conteúdo e inovação para toda a cadeia de bebidas”, afirmou.

Setor reforça importância econômica da cadeia cervejeira

Mesmo diante da expansão para outros segmentos, a cerveja segue como protagonista da feira. Pela primeira vez, a Abracerva assumiu diretamente a curadoria do comitê científico do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC), que reuniu cerca de 400 participantes.

Segundo Gilberto Tarantino, presidente executivo da Abracerva, a Brasil Brau segue sendo o principal encontro profissional da cadeia cervejeira brasileira.

Os debates abordaram temas como inteligência de mercado, construção de marcas, distribuição, eficiência operacional e os desafios regulatórios que o setor enfrenta nos próximos anos.

Eficiência e flexibilidade ganham protagonismo

A edição também evidenciou uma mudança importante no perfil dos investimentos da indústria.

Fabricantes de equipamentos, fornecedores de tecnologia e empresas de engenharia apresentaram soluções voltadas à redução de custos, automação, economia de água, energia e aumento da flexibilidade produtiva.

Entre os destaques estiveram novas linhas de envase, sistemas automatizados, equipamentos para pequenas produções e tecnologias voltadas para a diversificação de portfólio.

A busca por eficiência operacional apareceu como um dos principais temas discutidos ao longo da feira, impulsionada por um mercado cada vez mais competitivo e por consumidores que transitam entre diferentes categorias de bebidas.

Brasilidade, inovação e tendências globais

A programação técnica também abriu espaço para discussões sobre identidade cultural, ingredientes brasileiros e tendências internacionais.

Entre os temas abordados estiveram o uso de matérias-primas nativas, madeiras brasileiras na produção de cervejas especiais, microbiologia aplicada à maturação em barris e o impacto da diversidade e da inovação no crescimento sustentável das marcas.

O espaço CBCTRENDS destacou ainda temas ligados à hospitalidade, harmonização, turismo cervejeiro e construção de experiências para o consumidor.

Visitantes escolheram os destaques da edição

A tradicional premiação da Brasil Brau, realizada por votação popular por meio do aplicativo oficial do evento, reconheceu empresas que se destacaram durante a feira.

Na categoria Inovação, a vencedora foi a Prozyn, com soluções para cervejas zero carboidrato e sem glúten.

O prêmio de Sustentabilidade ficou com a Globalfood, que apresentou tecnologias voltadas à redução do consumo energético e otimização logística.

Já a categoria Destaque da Feira foi conquistada pela Memo, que chamou atenção dos visitantes com novos equipamentos e soluções para o mercado de chope e bebidas.

Nova fase começa em 2028

Com a transição para Brasil Brau & Beverage, o evento passa a refletir um mercado cada vez mais integrado, onde cervejas, destilados, bebidas funcionais, refrigerantes, energéticos, RTDs e outras categorias compartilham tecnologia, inovação e estratégias de consumo.

A mudança marca o encerramento de um ciclo iniciado ainda na década de 1980 e inaugura uma nova etapa para um dos principais encontros de negócios do setor de bebidas da América Latina.

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